FAMED em LUTO: homenagem à doce professora da pediatria Aby Jaine, a “Bibi”

Postado por: Eduardo Rafael

Egressa da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Aby Jaine Moura, ou carinhosamente, a “Bibi”, formou-se em Medicina em 1986, cursou a residência em pediatria no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (HUMAP), onde se especializou em neonatologia e construiu sua exitosa trajetória profissional.

Não demorou muito tempo para Aby tornar-se conhecida tanto por sua competência profissional como também por seu jeito doce, o qual conquistava não só as crianças, mas todos a sua volta. Como resume a professora Adélia, Aby era uma “mulher forte, linda, elegante e dedicada”. Dona de uma voz firme, sua presença era marcante, assim como sua doçura. O professor Malzac ainda enfatiza como ela era “educadíssima, companheira e carinhosa”.

Dê braços abertos e com o sorriso imenso, Bibi dava as boas vindas às vidas recém chegadas ao mundo. Em suas mãos, os colegas ginecologistas confiavam a continuidade do cuidado, especialmente, daqueles que mais necessitavam. A gratidão por sua dedicação é reconhecida pelos pais e filhos, como comenta alguns professores:

Ela “salvou nossa filha após o nascimento!” (Ricardo).

“Além dos laços profissionais e de amizade que nos unem, há minha eterna gratidão por ter acolhido, amado e salvo um dos meus maiores tesouros” (Wilson).

“Sei de muitas crianças que hoje agradecem suas vidas a ela” (Iandara).

Aby possuía habilidades de salvar com as mãos e de acolher com os ouvidos. “Sempre pronta a ajudar, tinha um tempo para escutar. Acolhia a todos, alunos, pacientes, funcionários do HU com quem trabalhava, familiares e amigos”, recorda a professora Débora que completa – “Todos que conviveram com ela tem com certeza uma boa história para contar.” Histórias que revelam o seu ‘adocicado’ humor:

“Ficarão para sempre em minha memória algumas frases dela quando recebia nossos bebês, ‘o bebê é perfeito, estão faltando só os dentinhos’. Ou quando trazia o bebê para a mãe amamentar dizendo que era hora do McDonald’s e do brigadeiro” (Profa. Tatiana Serra)

“Lembro ela falando para o recém-nascido, ‘aqui tem chocolate, brigadeiro, não é só picolé de chuchu’” (Profa. Nadia).

Se com os amigos ginecologistas Aby já mantinha uma estreita relação, fica até difícil mensurar a afetividade envolvida nos vínculos construídos com os amigos, em especial, as amigas da pediatria, Ana Lúcia e Carmen, ao longo de três décadas. A dor da perda é proporcional ao tamanho do amor que ela cativou, em alguns desde a época da graduação, como expressam as palavras do professor Marcelo Rosseto: “Perdi minha amiga do 1º ao 6º ano e de uma vida inteira. Perda irreparável. Grande amiga em todos os momentos”.

Por isso a partida da professora, pediatra, mãe e amiga é tão sentida. “Vai ser difícil continuar sem ver o seu sorriso, sua alegria, te ver dizendo: ‘A situação estava complicada, tive que acionar o Disque Danusa’”, lembra saudosa sua parceira de trabalho. Sabe-se que “vai demorar para passar a tristeza”, diz a professora Débora, pois “quando um amigo antecipa o caminho da eternidade, o nosso coração ‘material’ sangra em toda dimensão”, explica a professora Dorinha.

Mas inspirar em seu lema de vida pode ser o caminho para acalentar um pouquinho a sua falta, como aponta a professora e amiga inseparável Carmen: “seguiremos com o seu mantra: fé, força, confiança e gratidão. Perdemos a presença física, seguimos com sua permanência em espírito de imenso amor, bondade, generosidade”.

Assim, “renovaremos nossas forças e esperanças”, mas sem deixar que “nos acostumemos com tantas perdas”, como destacou a professora Mariana e complementou a professora Rosimeire, “continuaremos motivados por seu exemplo, buscando transformar o luto em luta”, sobretudo, após ouvir sua última mensagem, enviada no grupo de docentes da FAMED no WhatsAPP:

“Deixo meu muito obrigada a todos. Continuem na luta, nossa Universidade é grande, poderosa, temos pessoas de muito, muito, muito valor e isso precisa ser visto fora daqui. Um grande beijo a todos e até breve, se Deus quiser”, disse a inesquecível Aby Jaine, a doce Bibi.

Vá em paz, que seja acolhida de braços abertos! Despedem-se os amigos e amigas da FAMED.